Department of Dairy Science
University of Wisconsin-Madison

National Association of Animal Breeders
Columbia, Missouri

NOVAS AVALIAÇÕES GENÉTICAS LEVAM EM CONTA

A CONTRIBUIÇÃO DAS VACAS NA FACILIDADE DE PARTO

 

Dr. Kent A. Weigel

Especialista em Genética Extensiva, University of Wisconsin

Administrador de Programas Genéticos, National Association of Animal Breeders

 

Já fazem mais de 25 anos que os touros Holandeses dos EUA vêm sendo avaliados quanto à sua facilidade de parto. Estas avaliações tem medido a tendência de um touro a dar crias que nascem com maior facilidade do que a média (em parte, em relação com o tamanho da cria). Os resultados eram expressos como uma porcentagem esperada de partos dificultosos em novilhas de primeira parição (%DBH). Os produtores têm usado estes resultados para escolher os touros com os quais iriam emprenhar as suas novilhas virgens. Além do alto valor das bezerras hoje, o parto pode chegar a ser um evento frustrante e custoso para o produtor. Os partos dificultosos requerem mão-de-obra adicional, cuidado veterinário e com freqüência conduzem a perdas ocasionadas pela menor produção de leite e um prolongado intervalo entre partos na primeira lactação. Os casos mais severos podem resultar na perda da cria, e às vezes na morte ou lesão grave da novilha parida. (O quadro abaixo mostra os dados de mortalidade neonatal num estudo recente na Universidade do Estado de Iowa-EUA por Myer et. al).

 

A facilidade do parto é avaliada pelos próprios produtores leiteiros e cada parto é pontuado com um valor de 1 a 5. Como se mostra abaixo à distribuição dos valores não são “normais” (em forma de sino) nem deveria de ser. A maioria dos partos se encontra nos valores de 1 ou 2 e somente os casos que requerem de uma assistência importante são catalogados de 4 ou 5. Os produtores devem pontuar os valores “como os vêem” ou dar para eles um valor de 1 se não os vêem acontecer e deixar para os geneticistas o estudo da distribuição dos valores.

 


 

Os partos mais difíceis ocorrem em animais de primeiro parto e em geral os machos geram maiores problemas do que as fêmeas, por serem maiores. Outros fatores tais como o programa de manejo e a alimentação das bezerras podem ter um papel determinante e em geral são desejáveis grandes novilhas, bem criadas, mais não passadas de peso. A genética também tem um papel importante. O novo sistema de avaliação da facilidade de parto, desenvolvido pelos Drs. Van Tassel e Wiggans do AIPL-USDA em Maryland-EUA pode ajudar a reduzir a incidência de partos problemáticos nos rebanhos leiteiros.

                                                                                                                                            

 

Quais são as novidades neste sistema de avaliação genética? A principal diferença é que são separados o impacto genético do pai da cria e do pai da vaca. No passado somente considerávamos o pai da cria. Os touros que davam crias com problemas de parto recebiam uma avaliação baixa (alto % de dificuldade), e os touros com crias que nasciam com facilidade recebiam avaliações favoráveis (baixa % de dificuldade). Mas estávamos ignorando o fato de que algumas vacas parem “mais facilmente” do que outras, fora do papel que possa ter a cria em si. Também ignorávamos o fato de que algumas vacas produzem crias que nascem com maior facilidade que outras. Estes dois fatores, a habilidade da vaca para parir sem problemas e a propensão de algumas vacas a produzir bezerros que nascem facilmente, são o fundamento para uma nova característica chamada “Facilidade de Parto das Filhas”. (Daughter Calving Ease)

Para diferenciar esta característica do efeito pai da cria, mudamos o nome do nosso antigo valor de facilidade de parto que vai se chamar agora “Facilidade de Parto do Touro de Serviço” (Service Sire Calving Ease).

 

                

 

Estas novas avaliações serão publicadas para os touros Holandeses dos EUA em Agosto de 2002 (incluindo os touros vermelhos). As avaliações para as duas características serão expressas na mesma escala que foi usada anteriormente, ou seja, a “porcentagem esperada de dificuldade no parto em novilhas” (partos pontuados 4 e 5) na primeira parição. A herdabilidade da Facilidade de Parto do Touro de Serviço é de 16% e a herdabilidade da Facilidade de Parto das Filhas é de 10%. A repetibilidade (Rel) da Facilidade de Parto do Touro de Serviço será tipicamente alta já que existiram numerosos partos em ambos os sexos, praticamente dentro do ano da distribuição do sêmen do touro. A repetibilidade da Facilidade de Parto das Filhas será com freqüência baixa pela baixa herdabilidade acima mencionada e o fato de que somente as fêmeas expressam a característica e também porque algumas fazendas não avaliam esta característica. Isto implica que o pedigree será uma fonte importante de informação para muitos dos touros novos. A seguinte tabela mostra a quantidade média de filhas para touros de Inseminação Artificial para leite e Fac. de Parto das Filhas. Também mostra a quantidade de crias nascidas para a avaliação de Facilidade de Parto do Touro de Serviço em relação com o ano de nascimento dos touros.

 

 

Como os pecuaristas deverão utilizar esta informação? A informação de Facilidade de Parto do Touro de Serviço deverá ser usada igual no passado, para decidir que touros podem ser usados sem risco em novilhas. Touros com avaliações de 10% ou mais para Facilidade de Parto do Touro de Serviço não devem de usados em novilhas virgens. É necessário lembrar que os touros de monta natural não tem nenhuma informação de facilidade de parto, por tanto, quem usa monta natural sobre suas novilhas está correndo um sério risco em termos de problemas de parição. Além disto as Aventuras genéticas (touros jovens) também não tem informações de facilidade de parto e mesmo que eles tenham informação que vem do seu pedigree não é recomendável usá-los em grandes números de novilhas.

 

A Facilidade de Parto das Filhas pode ser usada como ferramenta de seleção. Apesar deste valor ainda não ter sido incorporado no TPI e no Mérito Neto $ (NM$), sabemos que em outros países como Dinamarca, Holanda e Suécia colocam de 7 a 12% de importância da facilidade de parto nos seus índices combinados de seleção. Muitos touros com pouca Facilidade de Parto do Touro de Serviço tenderão a ter más avaliações na Facilidade de Parto das Filhas já que eles transmitirão uma parte desta limitação a suas filhas que na sua vez continuarão transmitindo o problema a suas próprias crias. Esta relação entre os dois critérios não é perfeita, assim para os touros de IA, a correlação entre o efeito Facilidade de Parto do Touro de Serviço e a Facilidade de Parto das Filhas serão de 50%. O modo de comparação, a correlação entre o PTA Leite e o PTA Lbs. de gordura é de 80% e a correlação entre o PTAT e o PTAM é de aproximadamente 0%. O seguinte exemplo mostra os resultados para quatro touros que aparecem entre os 400 mais altos para Mérito Neto $ (mudamos os nomes dos animais para melhor ilustracao)

 

 

Como mostra na tabela, o Grande Bill dá crias que nascem com grandes dificuldades e por sua vez quando estas bezerras crescem e chegam o momento do seu parto, tendem a ter mais dificuldades do que a média. Mel Materno tão pouco é bom como Touro de Serviço, mas quando as suas Filhas parem elas têm as suas crias com bastante facilidade. Hal o Pequenino será uma boa escolha para inseminar novilhas, mas algumas das suas filhas, terão problemas no memento de parir seu primeiro bezerro. Eddie o Fácil é muito bom para as duas características, suas crias nascem com facilidade e por sua vez estas se transformam em vacas que parem com facilidade. Os touros do exemplo são extremos entre os touros de IA ativos. Quase nenhum touro terá avaliações menores do que 5% e muito poucos excederão 15%. A maioria dos touros ficarão entre 8 e 11%. Esta nova informação genética em conjunto com um bom programa de manejo e alimentação dos rebanhos nos permitirá atacar este custoso e frustrante problema das fazendas leiteiras modernas e nos ajudará a identificar os touros que sobressaem em facilidade de parto tanto no lado paterno como da parte materna do pedigree.

 

Em resumo, estes são os pontos chaves:

 

1) A avaliação atual que mede a tendência dos touros a dar crias que nascem facilmente tem

sido melhorada com um ajuste que toma em conta a influência da vaca. Esta avaliação recebe agora o nome de “Facilidade de Parto do Touro de Serviço

 

2) Uma nova avaliação chamada “Facilidade de Parto das Filhas”, medirá a influência do pai de uma vaca na sua habilidade para parir. Esta avaliação representa a combinação da habilidade de uma vaca para parir com facilidade e a sua tendência a produzir crias que nascem com facilidade.

 

3) Os produtores devem selecionar primeiro em base a um índice econômico tal como o TPI ou o Mérito Neto. Após podem usar a Facilidade de Parto das Filhas como ferramenta secundária de seleção.

 

4) No passo seguinte, os produtores deverão avaliar a Facilidade de Parto do Touro de Serviço para determinar quais serão os touros para servir suas novilhas.

 

5) Os touros de monta natural e os touros jovens de IA não têm informações de facilidade de parto, portanto o uso deles sobre novilhas é de alto risco. Além disto às novilhas virgens são os animais de maior potencial genético do rebanho e elas em geral ficam prenhes na primeira inseminação. Não desperdice este valioso recurso usando monta natural.